domingo, 14 de abril de 2013

Partirei...

Partirei

Mesmo sòzinho
irei à procura da árvore marítima
que me pertence
Oh mundo de cinza e de esperança perdida!

Partirei

Partirei como quem se desprende.
Mãe: a porta abriu-se misteriosamente
quando dormias.
As montanhas são verdes
e o mar é maior do que o meu coração.
Porque não falaste dos frutos proibidos?

O pão e a liberdade são brancos,
simples e brancos,
como as areias.
Há uma melodia escondida não sei onde,
que eu ignoro mas conheço.
Sinto-a como se tivesse um pássaro nos olhos!

Esta é a rapariga mais frágil da casa:
parece uma pomba voando no nevoeiro;
por isso a amo ardentemente.
Adeus pedras rosadas, vidros
e barcos de papel.
Adeus querido irmão,
meu companheiro único desde os cinco anos.

Para ti criança de cabelos líquidos,
deixo aquela praia clara,
que descobriste nos meus abraços.

Agora sou homem e árvore.
Agora posso desenhar a madrugada.
Mas isto é ainda muito pouco.
Partirei.
Esta é a minha única certeza.

Manuel Dias da Fonseca

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